sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A Teoria do Desenvolvimento de Erikson



  1. A TEORIA DO DESENVOLVIMENTO PSICOSSOCIAL DE ERIK ERIKSON

A Teoria do Desenvolvimento Psicossocial foi desenvolvida por Erik Erikson. Nascido na Alemanha em 1902 e faleceu aos 92 anos de idade nos Estados Unidos. É considerado o primeiro psicanalista infantil americano. Tornou-se psicanalista após trabalhar com Anna Freud, porém, em seus estudos, não focou no id e nas motivações conscientes como os demais psicanalistas, mas nas crises do ego no problema da identidade.

Rabello (2001) mostra que a Teoria Eriksoniana do desenvolvimento humano é dividida em oito fases, mas com algumas características peculiares:

·O ego é o foco, ao invés de Freud que focava o id;

·Outras etapas do ciclo vital são estudadas. Freud valorizou a infância e Erikson reconhece o grande valor dessa etapa sem desvalorizar as demais como adolescência, idade adulta e velhice;

·Em cada um dos oito estágios o ego passa por uma crise. O desfecho da crise pode ser positivo (ritualização) ou negativo (ritualismo);

·De um desfecho positivo surge um ego mais forte e estável, enquanto o desfecho negativo gera um ego mais fragilizado;

·Ocorre a reformulação e reestruturação da personalidade após cada crise do ego.

Os estágios supracitados são chamados Estágios Psicossociais e correspondem às oito crises do ego que servem para fortificá-lo ou fragilizá-lo, dependendo do desfecho. Os termos - forte e frágil - utilizados por Rabello (2007) são usados no sentido freudiano.

As crises dão nome aos estágios psicossociais que, segundo RABELLO (2007), são:

1Confiança básica X Desconfiança básica

2Autonomia X Vergonha e Dúvida

3Iniciativa X Culpa

4Diligência X Inferioridade

5Identidade X Confusão de Identidade

6Intimidade X Isolamento

7Generatividade X Estagnação

8Integridade X Desespero

1.1 Confiança básica x Desconfiança básica

Esta fase é análoga à fase oral da Teoria de Freud. Nela o bebê mantém seu primeiro contato social com seus provedores que, geralmente é a mãe. Para ele, a mãe é um ser supremo, mágico, aquele que fornece tudo o que ele necessita para estar bem.

Quando a mãe falta, o bebê experimenta o sentimento de esperança. Ele começa a esperar que sua mãe volte e, quando isso ocorre com freqüência, há o desfecho positivo e a Confiança Básica é desenvolvida. Do contrário, se a mãe não retorna ou demora a fazê-lo, o bebê perde a esperança. É o desfecho negativo e o que se desenvolve é Desconfiança Básica.

É necessário, portanto, que os provedores tratem a criança com muita atenção, carinho e paciência para que a confiança, a segurança e o otimismo se consolidem. Sem esses sentimentos, a criança crescerá insegura e desconfiada.

Para Erikson, de acordo com Rabello (2007), o excesso de carinho e cuidado podem ser maléficos pois, a criança visualiza sua mãe como algo muito superior, muito boa, perfeita, algo que jamais poderá ser e, assim, desenvolve a agressividade e desconfiança que, no futuro, se transformam em níveis baixos de competência, entusiasmo e persistência.

A Confiança Básica é importante porque é quando a criança aprende a confiar nos provedores externos e também na sua capacidade interna, em seus órgãos para buscar saciar seus desejos.

1.2 Autonomia x Vergonha e Dúvida

Com o controle de seus músculos a criança inicia a atividade exploratória do seu meio. É neste momento que os pais surgem para ajudar a limitar essa exploração. Há coisas que a criança não deve fazer. Então os pais se utilizam de meios para ensinar a criança a respeitar certas regras sociais. Esta crise culminará na estruturação da autonomia e pode ser comparada à fase anal freudiana.

Os pais fazem uso da vergonha e do encorajamento para dar o nível certo de autonomia à criança enquanto aprendem as regras sociais. Rabello (2007) esclarece que se a criança é exposta a vergonha constante ela pode reagir com o descaramento e a dissimulação e tornar-se um adulto com o sentimento freqüente de vergonha e dúvida sobre suas potencialidades e capacidades.

O sentimento que se desenvolve nesta etapa é a vontade. À medida que suas capacidades físicas e intelectuais se desenvolvem ajudando-a na atividade exploratória, a criança tende a ter vontade de conhecer e explorar ainda mais. Porém, como também começa a assimilar as regras sociais, é necessário cuidado para que a vontade não seja substituída pelo controle.

O controle sobre as regras, que devem ser cumpridas a qualquer preço, é algo ruim. É quando a criança se sente bem ao ver outras pessoas (colegas, por exemplo) serem punidas pelo descumprimento das normas. Ela pode se sentir bem até em ser punida. Neste momento dizemos que a criança está se tornando legalista. (Rabello, 2007).

Rabello (2007) diz que:

"Neste estágio, o principal cuidado que os pais têm que tomar é dar o grau certo de autonomia à criança. Se é exigida demais, ela verá que não consegue da conta e sua auto-estima vai baixar. Se ela é pouco exigida, ela tem a sensação de abandono e de dúvida sobre suas capacidades. Se a criança é amparada ou protegida demais, ela vai se tornar frágil, insegura e envergonhada. Se ela for pouco amparada, ela se sentirá exigida além de suas capacidades. Vemos, portanto, que os pais têm que dar à criança a sensação de autonomia e, ao mesmo tempo, estar sempre por perto, prontos a auxiliá-la nos momentos em que a tarefa estiver além de suas capacidades." (RABELLO, 2007, p. 6).

Quando a criança começar a perceber de onde vem a sua vergonha (pais, objetos, adultos), ela vai evitar expressar-se diante deles. Cabe então às pessoas que convivem com ela explicar carinhosamente o que pode e o que não pode fazer.

1.3 Iniciativa x Culpa

Comparada à fase fálica freudiana, neste período é somada à confiança e à autonomia, adquiridas nas etapas anteriores, a iniciativa. Esta se manifesta quando a criança deseja alcançar uma meta e, planejando sua ação, utiliza-se de suas habilidades motoras e intelectuais para tal.

A iniciativa surge para atingir metas que, muitas vezes, tornam-se fixação. Na Teoria de Freud a principal fixação ocorre neste período. É o Complexo de Édipo, caracterizado pela fixação genital pelo progenitor do sexo oposto. Assim, meninos nutrem verdadeira paixão por suas mães enquanto as meninas identificam-se mais com seus pais. Rabello (2007) esclarece que, para Erikson, assim como para Freud, as metas elaboradas são impossíveis. Então toda a energia despendida em busca de algo socialmente inalcançável é revertida para outras atividades. É nesse período que as crianças ampliam seus contatos, fazem mais amigos, aprendem a ler e escrever... fruto da energia proveniente da iniciativa.

O senso de responsabilidade também pode ser desenvolvido durante esta terceira crise do ego. Nela, a criança sente a necessidade de realizar tarefas e cumprir papéis. Os pais devem dar oportunidade aos filhos para que eles realizem tarefas condizentes com seu nível motor e intelectual. É necessário que a tarefa seja possível de ser cumprida. Outras, como desafio, podem ser mais complexas, porém devem ser realizadas como apoio de alguém.

1.4Diligência X Inferioridade

Quando a criança se torna confiante, autônoma e desenvolve a iniciativa para objetivos imediatos, passa à nova fase do desenvolvimento psicossocial aquela que na Teoria Freudiana (fase de latência) teve menos destaque onde a criança aprende mais sobre as normas sociais e o que os adultos valorizam.

Aqui, tarefas realizadas de maneira satisfatória remetem à idéia de perseverança, recompensa a longo prazo e competência no trabalho. O ego está sensível, uma vez que se falhas ocorrerem ou se o grau de exigência for alto, ele voltar a níveis anteriores de desenvolvimento, implantando o sentimento de inferioridade na criança.

Surge o interesse pelas profissões e a criança começa a imitar papéis numa perspectiva imatura, mas em evolução, de futuro. Por isso, pais e professores devem estimular a representação social da criança a fim de valorizar e enriquecer sua personalidade, além de facilitar suas relações sociais.

1.5 Identidade x Confusão de Identidade

A adolescência é o período no qual surge a confusão de identidade. Questões como: O que sou?O que serei? Sou igual a meus pais? são levantadas e, somente quando forem respondidas, terá sido superada esta crise do ego.

O adolescente se influencia facilmente pelas opiniões alheias, isso faz com que ele assuma posições variadas em intervalos de tempo muito curtos. Este estágio pode fazer o ego regredir como forma de fuga ao enfrentamento desta crise. Rabello (2007) diz que, na Teoria Eriksoniana, quanto mais bem vividas as crises anteriores, ou seja, quando a Confiança Básica, a Autonomia, a Iniciativa e a Dilligência têm desfechos positivos, mais fácil se torna a superação da Crise de Identidade.

Lealdade e fidelidade consigo mesmo são características do desfecho positivo desta etapa. Estes sentimentos sinalizam para a estabilização de seus propósitos e para o senso de identidade contínua.

1.6 Intimidade x Isolamento

A identidade está estabilizada, o ego fortalecido e o indivíduo agora aprenderá a conviver com outro ego. As uniões, casamentos, surgem nesta fase. Se as crises anteriores não tiveram desfechos positivos,a pessoa tende ao isolamento como forma de preservar seu ego frágil.

O isolamento pode ocorrer por períodos curtos ou longos. No caso de um período curto, não podemos considerar negativo, já que o ego precisa desses momentos para evoluir. Mas quando o isolamento é longo e duradouro o desfecho dessa crise está sendo negativo.

Em Rabello (2007) vemos que Erikson definiu o elitismo também como desfecho negativo desta fase. O elitismo consiste numa espécie de narcisismo comunal, ou seja, a formação de grupos fechados de pessoas com egos semelhantes, caracterizando a incapacidade de conviver com outros egos e, portanto, não superando esta crise.

1.7 Generatividade x Estagnação

Caracteriza-se pela necessidade que o indivíduo tem de gerar. Gerar qualquer coisa que o faça sentir produtor e mantenedor de algo. Pode ser filhos, negócios, pesquisas etc. O sentimento oposto é o da estagnação.

Quando a pessoa olha para sua vida e vê tudo o que produziu, sente a necessidade de ensinar tudo o que sabe e tudo o que viveu e aprendeu, com outras pessoas. Se existe a oportunidade deste compartilhamento, o indivíduo sente que deixou algo de si nos outros e o desfecho é positivo. Por outro lado, o não-compartilhamento de suas "gerações" com os outros gera o que Erikson chamou de estagnação, o que pode ser considerado um desfecho negativo.

O fato de ser mais velho, esclarece Rabello (2007), faz a pessoa sentir que tem alguma autoridade sobre os mais novos e, dessa autoridade em excesso, surge o autoritarismo.

1.8 Integridade x Desespero

A Teoria Eriksoniana define esta fase como a final do ciclo psicossocial. É o que nós, professores, chamaríamos de culminância ou avaliação. E dá duas possibilidades: 1) desfecho positivo o indivíduo procura estruturar seu tempo e se utilizar das experiências vividas em prol de viver bem seus últimos anos de vida; ou 2) desfecho negativo estagnar diante do terrível fim, quando as carícias desaparecem e a pessoa entra em desespero.

Rabello (2007) confirma que

"Agora é tempo do ser humano refletir, rever sua vida, o que fez, o que deixou de fazer. Pensa principalmente em termos de ordem e significado de suas realizações. Essa retrospectiva pode ser vivenciada de diferentes formas. A pessoa pode simplesmente entrar em desespero ao ver a morte se aproximando. Surge um sentimento de que o tempo acabou, que agora resta o fim de tudo, que nada mais pode fazer pela sociedade, pela família, por nada. São aquelas pessoas que vivem em eterna nostalgia e tristeza por sua velhice. A vivência também pode ser positiva. A pessoa sente a sensação de dever cumprido, experimenta o sentimento de dignidade e integridade, e divide sua experiência e sabedoria. Existe ainda o perigo do indivíduo se julgar o mais sábio, e impor suas opiniões em nome de sua idade e experiência." (RABELLO, 2007, p. 11).

O ciclo de vida, as crises do ego descritas neste capítulo são, em conjunto, definidas por seu idealizador Erik Erikson como Plano de Vida, onde o desfecho positivo de uma ajuda na superação da próxima e, o desfecho negativo, além de enfraquecer o ego e rebaixá-lo a estágios anteriores de desenvolvimento, prejudicam a superação das crises seguintes.

sábado, 11 de agosto de 2012

Por que planejar?

Etiqueta do Bom Atendimento Telefönico



No escritório, em geral, todo funcionário que tem uma extensão telefônica em sua mesa, deve ter em mente “normas” quanto ao atendimento das ligações.

Quem não pode atendê-las, é de bom tom avisar ao responsável por transferi-las.  E ao sair da sala, a pessoa deve avisar aonde vai.

Para quem for atender ao telefone, vejam regras importantes para ajudar na imagem da empresa

1 – Procure atender as ligações até a segunda chamada. Diga o nome da empresa, acompanhado de uma saudação e identifique-se, para que não seja necessário que o cliente pergunte quem está falando.

2 - Não basta transferir a chamada na esperança de que tenha sucesso. Até a chamada ser atendida pelo destinatário final a responsabilidade pelo atendimento continua a ser da pessoa”.

3 – Ao receber uma transferência de ligação, a pessoa deve informar-se sobre o assunto: “fulano, bom dia ou boa tarde, sobre sua solicitação a resposta é a seguinte...”. Se necessário, solicite informações complementares, mas nunca pergunte qual o assunto ao cliente, para que ele não precise repetir, caso já tenha falado à pessoa que o atendeu antes.

4 – O fato de um cliente procurar a empresa para manifestar descontentamento, por qualquer razão, não deve ser motivo de aborrecimento. Veja com satisfação e diga: “que bom que o Senhor(a) ligou, estamos aqui para isso mesmo”. O cliente liga porque tem relação com a empresa, ainda que ele esteja irritado ou insatisfeito. A existência das empresas é justamente para buscar soluções para os problemas dos clientes.

5 – Nunca se esqueça: Cada profissional que atende ao telefone passa a ser a própria EMPRESA perante o cliente. Não deve, assim, eximir-se de responsabilidade pelo atendimento perante o cliente e perante a empresa.


6 – Quem atende ao telefone deve saber separar os papéis – o de cidadão e o de funcionário da empresa, não se deixando envolver-se emocionalmente. Em casos de mal-entendido, é bom perguntar: “fiz alguma coisa errada que o tenha aborrecido e que possa corrigir?”. Essa atitude reconduzirá o diálogo, uma vez que o cliente, ao ser eventualmente agressivo, não vai atingir a pessoa que o está atendendo.

7 – Ouça com atenção sempre que atender ao telefone. Não transmita obrigação pelo atendimento. Talvez, a falta de interesse no assunto seja o maior problema de quem fala agressivamente ao telefone. Mantenha um sorriso nos lábios que dará um tom de simpatia ao atendimento.

8 – Ninguém é obrigado a dizer sempre SIM, embora seja necessário um mínimo de concordância com o interlocutor (a) para se estabelecer um diálogo produtivo. É preferível dizer: “concordo em parte, do que discordo com o Sr (a)”. Se necessário, peça desculpas. É melhor que a pessoa desabafe se, for o caso, com a empresa do que incluí-la entre os motivos de desabafo em público.

9 – Ao atender ao telefone, volte sua atenção integralmente para o interlocutor (a), que não precisa ouvir nenhum rabicho de conversa antes de ser atendido. Caso necessário, peça para aguardar um pouco, mas nunca mais que 20 segundos.

10 – A administração deve sempre ser informada sobre qualquer problema referente ao atendimento telefônico para providenciar solução. Os recados também devem ser anotados com o maior número de informações possíveis.

Lembre-se:

O que o cliente espera é atenção. Afinal, ninguém é obrigado a ter solução, na ponta da língua, para todos os problemas.



 

(www.holomatica.com.br)

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Os Segredos do Cérebro

 


O que os cientistas descobriram sobre o cérebro? As doenças mentais já podem ser curadas? O que é um membro fantasma? O que sabemos sobre a consciência? O cientista Ignacio Morgado nos explica em entrevista todos os segredos do cérebro.
Ignacio Morgado, coordenador de uma coleção sobre neurociência e autor de ensaios sobre o assunto, é catedrático de Psicobiologia e pesquisador da Universidade Autônoma de Barcelona (Espanha). Ganhador de vários prêmios de divulgação científica, realizou estudos e trabalhos de pesquisa nas universidades de Rhur (Alemanha) e Oxford (Reino Unido), assim como passou um período no Instituto Tecnológico da Califórnia (EUA).
O cérebro através dos tempos
- Houve muitos erros na História sobre a função do cérebro humano?
- Sim. Os egípcios extraíam o cérebro pelo nariz dos cadáveres que embalsamavam porque o consideravam um órgão supérfluo e até Aristóteles encontrou motivos para localizar os processos mentais erroneamente no coração. Inclusive o filósofo racionalista francês René Descartes, já no século XVII, achava que a mente (ou alma) era algo alheio ao corpo.
- Qual foi o motivo de você ter se aprofundado no misterioso cérebro humano?
- Porque me parece que não existe nenhum ensaio corajoso sobre estes temas. Comecei a escrever um livro de divulgação que fosse válido, tanto para meus alunos da universidade como para o grande público interessado neste assunto.
- E daí foi um passo para a Psicobiologia, da qual o senhor é catedrático?
- Ela é uma ciência que está entre o cérebro e o comportamento humano.
- Que temas divulga em seu ensaio?
- Explico o fenômeno da consciência, seus conteúdos e os mecanismos cerebrais que a tornam possível. Exploro as características de todos e cada um de nossos sentidos e descrevo o modo em que o cérebro recebe e processa a informação.
- E como definiria a consciência?
- Em termos gerais seria o conhecimento que um ser tem de si mesmo e de seu ambiente. Para entender melhor, seria aquilo que perdemos quando dormimos ou nos anestesiam.
- Que atividades nos permite realizar?
- A consciência nos permite ver, lembrar, sentir medo etc., embora o deixar de fazê-lo nem sempre significa que o que não vemos, não lembramos ou não sentimos, não esteja de algum modo registrado em nosso cérebro. Pode significar simplesmente que nesse momento não nos é permitido ter acesso a essa informação de um modo consciente.
- Como se gera a consciência no cérebro?
- O pesquisador Giulio Tononi, da Universidade de Wisconsin (EUA) e o neurocientista Christof Koch asseguram que o segredo da consciência estaria na interconexão funcional, em fazer com que todos os circuitos que processam os conteúdos da informação estejam acoplados e funcionem como uma unidade complementar, em equipe. Não é tanto uma sincronia, mas um acoplamento total.
A interconexão funcional
- Qual seria a melhor comparação, uma orquestra sinfônica ou um bom time de futebol?
- Um bom time de futebol! Cada jogador seria o equivalente a um dos circuitos neuronais que processam um aspecto determinado da informação como, por exemplo, o nome de uma pessoa, o lugar onde vive ou o trabalho que faz. Se todos os jogadores estão acoplados, a equipe funciona como uma unidade, o que equivaleria a que todos os circuitos neuronais acoplados geram o estado consciente.
- E o que acontece se estes circuitos não estão acoplados?
- É o que ocorre quando dormimos sem estar sonhando ou quando nos injetam um anestésico. Se os jogadores jogam cada um por sua conta, a equipe desmonta, o que equivaleria a que os circuitos neuronais se desajustam e viria então o estado inconsciente.
- Mas há cientistas partidários da comparação com a orquestra...
- Sim, o neurocientista colombiano Rodolfo Llinás; mas ficou comprovado que, tanto se estamos acordados como se sonhamos, o eletroencefalograma do conjunto do cérebro marca uma atividade sincronizada de ondas que oscilam entre 30 e 70 hertz, o chamado ritmo gama, mas esse mesmo ritmo se dá tanto em situações de inconsciência como quando dormimos sem sonhar, estamos anestesiados ou sofremos convulsões.
- E então?
- No cérebro pode haver sincronia sem consciência, mas não consciência sem sincronia, por isso que a sincronia não parece uma explicação razoável dos mecanismos que tornam possível a consciência, parece mais uma consequência do que uma causa da mesma.
O membro fantasma
- Como você nos explicaria o fenômeno do "membro fantasma", o fato de uma pessoa sentir como sua uma extremidade que acaba de ser amputada?
- Ficou comprovado que as pessoas que perdem um membro por causa de doença ou acidente continuam pensando que ainda o têm durante um período muito breve de tempo, mas a plasticidade cerebral faz com que este tempo não seja muito durável, porque os neurônios do córtex cerebral do membro amputado se reorganizam em seguida.
- E como o cérebro se comporta quando chega a ele sinais de um elemento externo, como uma prótese dentária?
- O córtex cerebral recruta neurônios para processar a nova informação. Quando acabam de nos implantar uma prótese dentária a notamos como algo alheio ao corpo, e a língua passa continuamente por ela, mas, com o tempo, o cérebro modifica os circuitos neuronais que recebem a nova informação e acaba adotando a prótese como uma parte natural do corpo. Isso é chamado de "plasticidade cerebral".
- Para que servem todas estas pesquisas sobre o cérebro?
- Por enquanto, aprendemos como funcionam os neurônios, os diferentes processos dos circuitos neuronais, mas a grande meta que ainda falta ser alcançada é conseguir que estes conhecimentos sirvam para curar doenças mentais.
- Há alguma solução em perspectiva?
- Temos remédios para aliviar os sintomas do Alzheimer, do Parkinson, da esquizofrenia e da psicose, e temos também bons remédios para atenuar a depressão, mas não para curar estas doenças. Ainda não se sabe bem como o cérebro trabalha quando desenvolve uma doença mental.
- Esta seria a grande meta pendente dos neurocientistas?
- Sim. Aprendemos muito sobre a memória, emoções, percepções, linguagem e estes conhecimentos nos aproximaram destas patologias, mas não temos informação suficiente para lutar contra as grandes doenças mentais, mas sim recursos para melhorar nosso bem-estar.